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Lisboa

Investidores portugueses pouco otimistas antecipam volume de transações abaixo dos €300 milhões em 2011

Jones Lang LaSalle apresenta conclusões do inquérito aos investidores num estudo sobre o Estado dos Fundos de Investimento Imobiliário em Portugal


Os investidores portugueses estão, na reta final do ano, pouco otimistas em relação à performance do mercado de investimento imobiliário nacional em 2011, sendo que 50% prevê que o volume anual de transações não supere os €300 milhões. Esta é uma das principais conclusões de um inquérito realizado pela Jones Lang LaSalle junto das principais sociedades gestoras de fundos de investimento imobiliário portuguesas e cujos resultados são apresentados num estudo sobre os Fundos de Investimento Imobiliário em Portugal. Este estudo, o segundo que a consultora realiza sobre este tema, pretende analisar o cenário atual dos fundos de investimento imobiliário em Portugal e a forma como este tem sido afetado e tem reagido à conjuntura recente, incluindo, pela primeira vez, os resultados deste inquérito.

Pedro Lancastre, diretor geral da Jones Lang LaSalle Portugal, sublinha: “Na reta final do ano, o balanço vai ao encontro das previsões inicialmente apontadas pelos principais players do mercado. Os fundos imobiliários abertos disputam as suas UP’s (Unidades de Participação) com os depósitos a prazo e com produtos alternativos supostamente estáveis que os bancos oferecem, produtos esses que, este ano, estão a proporcionar melhores rentabilidades. Por essa razão, o balanço resgates/subscrições é negativo, o que tem incapacitado a maioria dos fundos de fazer aquisições”.

“Contudo, os fundos imobiliários têm vindo a demonstrar que têm rentabilidades estáveis e historicamente mais altas que os produtos alternativos, mas as pessoas querem resultados imediatos. Por outro lado, há excelentes oportunidades no mercado, que se fossem consideradas hoje iriam, de certeza, aumentar a rentabilidade dos fundos”, defende Pedro Lancastre.

De acordo com o inquérito, realizado pela primeira vez, 50% dos inquiridos aponta um volume de investimento total entre 100 e 300 milhões de euros em 2011 e 37% acredita que esse volume se fixe entre os 300 e os 400 milhões de euros, o que comparativamente ao total de €762 milhões registados em 2010, traduzirá uma quebra de quase 50% na atividade do mercado de investimento nacional.

A maioria dos investidores inquiridos (62%) afirma que o montante que irá investir em 2011 não superará os 10 milhões de euros, e apenas 25% coloca essa fasquia entre 10 e 50 milhões de euros. A atitude dominante é de “esperar para ver”, com uma grande percentagem de investidores a apontar a falta de liquidez como um dos principais entraves para a realização de investimentos. De facto, 87% dos investidores inquiridos revelam um balanço negativo entre as subscrições e os resgates efetuados nos fundos geridos.

Além de falta de liquidez, a maioria dos investidores considera que o mercado português, de forma transversal a todos os segmentos, não oferece, de momento, um leque diversificado de produtos de investimento  e condições que preencham os requisitos pretendidos. Para a maior parte dos investidores, as condições de investimento pioraram em todos os segmentos, em particular nas localizações secundárias de escritórios, sector industrial e logístico, e no segmento de retail parks.

As perspetivas para o futuro são também marcadas pela contenção, com 75% dos inquiridos a exibirem um sentimento negativo, especialmente influenciado pelas preocupações relativas ao atual contexto político e económico, bem como pela expectativa relacionada com medidas como a alteração da Lei do Arrendamento ou os incentivos fiscais  à recuperação de imóveis.  A mesma percentagem de investidores considera ainda que, nos próximos 12 meses, os imóveis deverão ser alvo de uma desvalorização até 10%.

A recuperação do grau de liquidez do mercado de investimento imobiliário português deverá acontecer, de acordo com a maioria dos investidores inquiridos (62%), apenas dentro de dois anos. As dificuldades respeitantes à captação de financiamento e ao custo do capital, a falta de sinais de recuperação da economia e as consequências produzidas no sector imobiliário continuam também a dominar a agenda e a impor sérias dificuldades de recuperação do dinamismo de investimento imobiliário, refere a Jones Lang LaSalle no seu estudo.

Para os diversos segmentos considerados (escritórios, retalho, turismo e industrial e logística), as intenções de investimento apontam para a manutenção das carteiras nos próximos 12 meses, especialmente no que respeita o segmento de escritórios, onde essa posição é constante em 75% dos inquiridos.

Não obstante, o estudo da Jones Lang LaSalle revela que em segmentos como o arrendamento habitacional e o comércio de rua, as perspectivas são de dinamismo nos próximos 12 meses, esperando-se que o investimento em ativos imobiliários destes mercados cresça significativamente.
Mercado de investimento trava no 1º Semestre
O relatório da Jones Lang LaSalle  dá nota de que o investimento imobiliário em Portugal ascendeu a 137 milhões de euros no 1º semestre de 2011, numa queda de 61% face ao semestre homólogo, esperando-se que o 2º semestre possa apresentar crescimento face aos primeiros seis meses do ano, mas mantendo, não obstante, o resultado anual bastante abaixo do volume transacionado em 2010.
A crise económica, a falta de liquidez dos investidores institucionais nacionais e a desconfiança dos investidores internacionais marcam o panorama de investimento imobiliário na atualidade.

O estudo da Jones Lang LaSalle aponta, de acordo com dados da CMVM – Comissão do Mercado de valores Mobiliários -, um total de 264 fundos de investimento imobiliário geridos por 35 sociedades gestoras e responsáveis por um volume de ativos avaliados em 11.949 milhões de euros, à data de 31 de Agosto de 2011.

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