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Notícias

Lisboa

Maturação do mercado imobiliário angolano depende de um progresso económico célere e sustentável


Sabemos que Portugal e Angola mantêm uma relação privilegiada, partilhando não só a mesma língua mas também parte da sua história. Estes factores, embora evidentes, não são os mais relevantes para que essa relação se perpetue no tempo. Analisando o panorama actual, verificamos que existe um grande interesse em manter, e até mesmo incrementar, as sinergias que foram sendo criadas para proveito mútuo.
Falando mais concretamente do mercado de retalho, verificamos que a realidade actual em Angola se encontra ainda a despontar e que em muito poderá beneficiar do conhecimento e experiência apresentadas pela maturidade do mercado português. Por sua vez, os principais players de retalho em Portugal procuram novos mercados que, não só lhes permita diversificar o risco do actual panorama europeu e nacional, bem como expandirem-se para mercados emergentes de forma a criar sustentabilidade para as suas operações.

Naturalmente, nasce o interesse por Angola, cuja atractividade do mercado é inegável, com a previsão de abertura de um elevado número de centros comerciais e retail parks, e a existência de uma grande procura aliada à falta de oferta de qualidade. Este interesse é comprovado pela presença de algumas marcas portuguesas neste mercado e corroborado pela clara demonstração de interesse de outras insígnias em investir neste País.

Considerando o cenário actual, existem outros factores complementares e igualmente atractivos, como o surgimento de uma classe média com algum poder de compra e o reconhecimento das marcas portuguesas por parte do consumidor angolano. Do lado de cá, este mercado é, cada vez mais, encarado como uma porta de entrada para outros países do continente africano, como peça fundamental para completar um dos principais eixos lusófonos que liga Portugal, Brasil e Angola.

Pese embora que se aguarde, com alguma expectativa a realização das eleições legislativas, as quais se encontram previstas para Setembro de 2012, o resultado esperado não deverá trazer novidades. Porém, espera-se que mais uma vitória traga maior rapidez no desenvolvimento desta economia, quer em termos económico-financeiros, quer na melhoria das condições de vida da população em geral, bem como um desenvolvimento acelerado das infra-estruturas necessárias a um País com a envergadura de Angola.

No mandato anterior foram criadas algumas condições que, num futuro próximo, irão permitir que Angola se liberte da grande dependência que apresenta face à importação de produtos de primeira necessidade – surgimento de plataformas industriais e logísticas, estrategicamente localizadas em determinadas províncias-chave.

Tendo em conta que se pretende dar continuidade às principais directrizes do mandato anterior, neste mandato espera-se por um crescimento mais célere e que seja mais visível nos diversos sectores imobiliários: residencial, retalho e serviços. Desta forma, aguarda-se pelas inaugurações de projectos de referência, os quais ainda se encontram em construção, crescimento das cadeias existentes e entrada de novas marcas que, conjuntamente, aumentem a diversidade e qualidade da oferta de retalho actualmente existente.

De referir que Angola poderá gozar de uma mais-valia, usufruindo da experiência e conhecimento de outros mercados, com o intuito de contornar dificuldades, encurtando caminhos para um desenvolvimento urbano mais sustentável e que permita que o seu crescimento seja realizado de forma mais sedimentado. Existem múltiplas oportunidades de negócio, que serão viáveis, desde que se reúnam as condições necessárias e se faça o trabalho preparatório, inerente ao desenvolvimento de qualquer negócio.

Carla Queiroz, consultora 
Revista Vida Imobiliária