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Lisboa

Retalhistas portugueses assumem postura inovadora: “o segredo já não é a alma do negócio”

Pop Up In Store Retail Talks arrancaram a 25 de outubro


A crise e o seu impacto, sem serem esquecidos, não foram o foco do primeiro encontro “Pop Up In Store Retail Talks”, que reuniu na passada quinta-feira (25 de outubro) mais de 100 pessoas numa loja Pop Up criada especificamente para o efeito no nº 42 da Rua Ivens, no Chiado. Numa iniciativa inovadora da Jones Lang LaSalle e do INV – Instituto de Negociação e Vendas, o evento abordou, de uma forma positiva e dinâmica, o setor do retalho em Portugal, dando nota do que melhor se faz no nosso país e de como a crise não esgota os negócios nem deve limitar a forma como as marcas se relacionam com o cliente.

“Queremos vitaminar o setor do retalho. Mostrar o que está a dar e o que é positivo. Dar as boas novidades”, começou por dizer João Alberto Catalão do INV. Para este responsável, “boas marcas, bons espaços e bons produtos não chegam para alcançar o sucesso. É preciso qualidade de profissionais, das pessoas que atendem ao público”. 

Por isso, estamos aqui hoje neste evento e nesta parceria. Nós, INV, tratamos do Software, e a Jones Lang LaSalle do Hardware do retalho”, acrescentou Ana Penim, também do INV.

Patrícia Araújo, Head of Retail da Jones Lang LaSalle, frisa, por seu turno: ”Temos competências complementares e é muito importante esta partilha de experiências e conhecimentos. Acreditamos que a partilha é, hoje em dia, determinante para o sucesso dos negócios”.

Uma das principais conclusões retiradas do evento foi a postura inovadora dos retalhistas portugueses, para quem “o segredo já não é alma do negócio”, mas antes, a “alma é o segredo do negócio”, referiu Ronald Brodheim, responsável pelo Grupo Brodheim que representa diversas marcas entre as quais a Burberry, a Furla, a Timberland ou a Trussardi. Para este retalhista, “é preciso ter disciplina de gestão e essa disciplina não nasce da crise. É certo que estes tempos mais difíceis nos pressionam a fazer mais e a descobrir coisas que não descobriríamos noutro contexto, mas é preciso continuar a gerir de forma disciplinada e ter a coragem de assumir posições, ainda que uma coragem fundamentada e com os pés no chão”.
 
Para Martim de Botton, responsável pela marca de gelados Santini, “paixão e acreditar” são palavras de ordem no comércio, onde é preciso estar de alma e coração, de forma diária, empenhada e apaixonada, pronto para assumir qualquer tarefa. Depois de 60 anos em Cascais, a Santini veio para Lisboa, há cerca de três anos e prepara-se agora para abrir um novo espaço na capital, embora a estratégia seja, como assegurou Martim de Botton, ter um máximo de cinco a seis lojas em todo o país, para não desvirtuar a exclusividade que sempre esteve associada a este nome de referência da gelataria.
  
Já para Nuno Seabra, que lançou recentemente a Nata Lisboa, a palavra de ordem é conceito. “Não criámos um produto, mas um conceito e a sua adequação ao contexto tem sido um fator crucial para o sucesso”. A Nata Lisboa, que pretende, de forma inovadora, levar o pastel de nata aos quatro cantos do mundo, abriu o seu primeiro espaço, no formato não muito usual de showroom, em Lisboa (Príncipe Real), em junho, e “o balanço tem sido muito positivo”, assegura o empresário.

Helena Pinto, do Eastbanc, evidenciou o trabalho desenvolvido no Príncipe Real, zona que foi dinamizada a partir da iniciativa desta empresa da área imobiliária e que resultou na animação de toda esta zona que estava esquecida da vida comercial e de lazer da cidade. A mesma responsável anunciou ainda que o próximo passo será o desenvolvimento de uma galeria comercial diferenciada num antigo palacete do século XIX naquela zona da cidade. “As pessoas acreditam nesta localização e no nosso projeto, e nós também. Temos tido imensa procura para as lojas​ e o segredo aqui é um conceito de comércio alternativo, que trabalha um mix variado e complementar e que aposta na qualidade, excelência e serviço ao consumidor”. O evento foi aliás uma montra do dinamismo do comércio nesta zona da cidade, integrando como parte da loja Pop Up, uma mostra de peças assinadas pelos estilistas Nuno Gama, Ricardo Preto, Alexandra Moura e Lidija Kolovrat, que têm atualmente as suas lojas no Príncipe Real. Também a loja de flores “Em Nome da Rosa”, igualmente localizada naquela zona, contribuiu para dinamizar esta Pop Up.

Esta zona é uma das mais dinâmicas na cidade de Lisboa em termos de comércio de rua, um subsegmento do retalho que tem vindo a emergir com a procura crescente dos retalhistas, revelou Patrícia Araújo, da Jones Lang LaSalle.  Com o Chiado a liderar nas localizações de comércio de rua da capital, com um mix muito completo entre marcas de mass market e marcas mais premium, e rendas que atingem os 90€/m²/mês, e a Avenida da Liberdade posicionada como a localização por excelência do comércio de luxo, Lisboa tem vindo a emergir no mapa de comércio de rua quer entre marcas nacionais quer internacionais, o que tem sido também muito impulsionado pelo aumento do número de turistas na capital e pela maior projeção internacional da cidade como destino de lazer, moda ou cultura. Patrícia Araújo destacou ainda as zonas da Baixa, Cais do Sodré ou a Rua Castilho como localizações que se têm vindo a consolidar no mapa do retalho lisboeta, assim como o Terreiro do Paço, que se transformou numa praça com nova vida.

João Alberto Catalão, especialista em vendas e marketing, frisou, em jeito de conclusão que, acima de tudo,  a capacidade de readaptação e reinvenção é determinante nos negócios hoje. “Hoje em dia, e com um consumidor em mudança, sobreviverão os negócios capazes de se reinventar. De fazer, desfazer e voltar a fazer melhor. O sucesso depende dessa capacidade de adaptação”, sublinha. Mas também da positividade: “Não podemos levar a depressão para dentro dos nossos negócios”, considera Ana Penim, do INV, acrescentou: “Este é o momento de correr como nunca. Temos que fazer, temos que agir. Hoje em dia, o cliente tem de ser recompensado pelo tempo que despende na loja. O tempo é atualmente o bem mais escasso de um consumidor mais inteligente e informado. Mas não podemos esquecer-nos que a emoção também faz parte da experiência e quem melhor tratar o seu cliente durante a crise, souber reinventar-se e inovar sempre, terá o cliente depois da crise”. 

O evento contou com os apoios da Tétris-Design & Build, Paris Sete, Actiu, Perfil Duplo, Eastbanc, Nescafé Dolce Gusto, Nestlé, DO it!, Nata Lisboa,  Instanta e Redunicre e deverá ser o primeiro de um ciclo de encontros itinerantes, cujo conceito passa por desenvolver conversas para uma plateia de cerca de 80  a 100 pessoas, construindo, para cada uma delas, um ambiente inédito e surpreendente em localizações inesperadas e que não se repetirão, recriando, desta forma, o conceito das Pop Up Stores, que têm na base este conceito e que estão disponíveis apenas por um período de tempo limitado. No local, estiveram além dos manequins de diversos estilistas que marcam presença no Príncipe Real, peças da Paris Sete, que pontuaram a zona reservada a networking.

Além de inovação na forma, este ciclo de eventos pretende ainda distinguir-se pela diferenciação na abordagem e no tipo de comunicação, consistindo, apenas, em conversas num estilo mais informal e que pretendem, acima de tudo, contribuir para a evolução positiva do setor do retalho.
 
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