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Lisboa

Mercado imobiliário português inicia retoma tímida em 2010

Depois de um ano 2009 marcado pela descida de performance em todos os segmentos


A Jones Lang LaSalle Portugal divulgou hoje o “Mercado Imobiliário Português 2009 – Perspectivas 2010” , relatório de research acerca do mercado imobiliário nacional em 2009 e as perspectivas para a sua evolução em 2010. A consultora revela que o mercado está posicionado para iniciar uma retoma, ainda que tímida, nos seus diversos segmentos, mantendo-se a recuperação dos níveis de confiança e da actividade iniciados no semestre final do ano passado.

Manuel Puig, Director Geral da Jones Lang LaSalle Portugal, explica: “Na transição de 2008 para 2009, as expectativas não podiam ser piores para o mercado imobiliário, com a economia recessiva e os mercados de investimento e ocupação em contracção. Mas, no final de 2009, esses prognósticos mais pessimistas não chegaram a cumprir-se e o próprio mercado soube adequar-se às novas circunstâncias, voltando o sentimento de confiança”.E acrescenta: “O ano 2010 não será seguramente o ano de uma retoma franca, mas iniciou-se já com um sentimento diferente e tudo indica que algumas áreas deverão ter um desempenho melhor ao longo deste ano, face ao ano anterior”.

Para 2010, a Jones Lang LaSalle aponta alguns sinais positivos nos diversos segmentos que poderão indiciar esta recuperação lenta do mercado. No investimento, espera-se um crescimento ao ritmo do último semestre de 2009, impulsionado pela reabertura das linhas de financiamento, o regresso dos investidores estrangeiros e a maior procura de subscrições de fundos nacionais. Também no retalho, a consultora estima que os retalhistas retomem os seus planos de expansão, ainda que de forma modesta. Já nos escritórios, a situação será menos favorável, esperando-se uma manutenção quer dos níveis de absorção quer das rendas registadas em 2009.

De acordo com a Jones Lang LaSalle, o ano 2009 foi um dos piores no âmbito do mercado imobiliário de que há registo, sobretudo devido à crise económica que grassou a nível nacional e internacional, resultando nas descidas de performance de praticamente todos os segmentos.
 
Nos escritórios tratou-se de um ano de viragem, com uma quebra de cerca de 50% na absorção anual para os 115.118 m², resultantes de 237 operações. A confiança das empresas caiu, denotando-se uma maior cautela na tomada de decisões e uma atenção reforçada na contenção de custos.
 
Assim, a procura acabou por ser bastante limitada, já que muitas empresas optaram por renegociar as rendas das suas instalações actuais, e muita da procura que se verificou resultou de operações de downsizing. De uma forma geral, as zonas do mercado de Lisboa sofreram reduções na área ocupada durante o ano (excepto as zonas 4 e 7), com a zona 5 (Parque das Nações) a exemplificar esta realidade, com apenas 5.000 m² tomados ao longo do ano. As zonas 3 e 6 foram as que registaram a melhor performance ao longo do ano, concentrando, conjuntamente, cerca de 47% do total do mercado. Estes níveis de procura revelaram algum desequilíbrio com a oferta, revela a consultora, com o resultante crescimento na taxa de disponibilidade, que se situavam, no final do ano, em 9,71% (422.447 m²) do total do stock de escritórios nacional, que ascende agora a 4.350.540 m². Em 2009, surgiram no mercado aproximadamente 77.000 m² de novos espaços de escritórios, respeitantes a 8 edifícios, estimando-se que, nos próximos dois anos, surjam no mercado cerca de 157.700 m².

O retalho verificou também um decréscimo de actividade, ainda que ligeiro, provando a sua maturidade, com um decréscimo de apenas 4% na ABL inaugurada. Em 2009, abriram ao público 310.000 m² de ABL, dos quais cerca de 84% no formato de centro comercial. Especial destaque para a inauguração do Dolce Vita Tejo, com 122.000 m² de ABL e que é actualmente o maior centro comercial de Portugal e também da Península Ibérica. A performance do mercado, considerada equilibrada, traduziu a maior cautela dos promotores, já que muitos retalhistas congelaram os seus planos de expansão, influenciados pelas fracas condições económicas e falta de confiança dos consumidores. Assim, de acordo com a consultora, apenas os projectos com garantias inquestionáveis avançaram, uma postura que se deverá manter ao longo dos próximos meses no que respeita ao lançamento de nova oferta. Em 2010 está previsto inaugurarem cerca de 214.546 m², menos 31% do que em 2009, estando cerca de 31% desta oferta localizada na região Norte, 27% na Grande Lisboa e 17% na Península de Setúbal. Actualmente, o stock de retalho em Portugal ascende a 3.356.459, traduzindo uma densidade média de 249 m²/ 1.000 habitantes.

No investimento, o decréscimo foi bastante acentuado, tendo este sido o sector que mais sentiu os efeitos da crise económica. Em 2009, o mercado de investimento imobiliário em Portugal movimentou 393 milhões de euros, menos 44% do que em 2008, tendo 65% deste volume sido registado no segundo semestre do ano. O retalho foi a principal razão para esta descida, já que, quer nos escritórios quer na logística, os níveis de actividade foram mais positivos. Este segmento observou o maior decréscimo de actividade face aos anos anteriores, em que se afirmava como o mais dinâmico e o grande atractivo dos investidores estrangeiros.
 
Em 2009, o volume de investimento em retalho ascendeu a 58 milhões de euros, principalmente em stand alones e lojas de rua. Já o segmento dos escritórios foi o mais dinâmico, com actividade na ordem dos 227 milhões de euros, registando mesmo um aumento de 6% no volume observado face a 2008. Merece destaque a operação de venda da Torre Oriente à Union Investment, por 72 milhões de euros. O mercado de logística registou também uma performance positiva, crescendo cerca de 12% face ao ano anterior, com um volume de investimento na ordem dos 76 milhões de euros.

Pedro Lancastre, director de Capital Markets da Jones Lang LaSalle Portugal comenta: “Apesar da concretização desta grande operação no final do segundo semestre, o ano de 2009 ficou marcado pela realização de pequenas operações com valores entre os 3 e os 10 Milhões de Euros, sobretudo no segmento de retalho em edifícios stand alones, operações essas participadas na sua maioria pela Jones Lang LaSalle”.
 
O mercado de logística e industrial, à semelhança dos restantes, foi igualmente afectado pela crise económica e consequente abrandamento na actividade das empresas, registando uma estagnação na absorção de espaços, que não sofreu decréscimos de maior uma vez que muita da promoção neste segmento é realizada apenas com pré-arrendamento.
 
 
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