Artigo

Investimento Imobiliário – nem tudo a pandemia levou!

Artigo de opinião de Fernando Ferreira, Head of Capital Markets

Março 01, 2021

O mercado de escritórios em Portugal não está apenas limitado a empresas nacionais, sendo um foco de atração de empresas e talentos internacionais em forte crescimento nos últimos anos.

O investimento em imobiliário comercial em Portugal caiu 17% em 2020. A queda foi real e interrompeu um ciclo virtuoso de novos tetos de mercado a cada ano. Contudo, qualquer que seja o ângulo de análise, o ano não deixou de ser, a todos os títulos, notável para o investimento no nosso país: (1) trata-se de uma queda inferior a 20%, num ano em que uma pandemia atingiu o mundo e todos os países quase em simultâneo; (2) a queda foi para um valor de €2,7 mil milhões transacionados, o que em termos absolutos representa o terceiro melhor registo de sempre no mercado.

Mas qual a razão para Portugal ter conseguido este resultado numa conjuntura tão adversa? As respostas são muitas. Mas, mais do que isso, são importantes de reter para este novo ano, pois são os fatores que se seguem aquilo que nos distingue face aos nossos competidores europeus na captação de investimento e que nos irão, com certeza, manter numa posição muito vantajosa para captar uma boa fatia da liquidez que promete vir para o mercado imobiliário global em 2021.

 

 

Desde logo, o facto de termos um mercado imobiliário em geral bastante maduro, ou seja, percebido como sendo de baixo risco, mas onde os retornos são mais favoráveis face a outras cidades/países europeus. Em 2020, o setor de escritórios devolvia 4,0%, e o de retalho, 4,5% no segmento de comércio de rua e 4,25% no de centros comerciais.

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Depois, focando no mercado de escritórios, que naturalmente é um dos alvos preferenciais dos investidores, especialmente em momentos como o atual, os indicadores de desempenho são positivos e as expetativas também. Fruto dos últimos anos, em que o ritmo de lançamento de nova oferta foi lento, o mercado de escritórios acaba por conseguir adaptar rapidamente a oferta à procura. Isso é bastante importante numa altura difícil como a que vivemos, em que, mesmo havendo impacto na ocupação, o desempenho dos ativos de escritórios se mantém em níveis interessantes. Portugal beneficia ainda de uma vantagem neste setor face aos mercados competidores europeus, nomeadamente porque o nível de rendas praticadas é mais competitivo para uma oferta com elevada qualidade. Adicionalmente, o país beneficia cada vez mais de uma base de procura multinacional. Ou seja, o mercado de escritórios em Portugal não está apenas limitado a empresas nacionais, sendo um foco de atração de empresas e talentos internacionais em forte crescimento nos últimos anos.

Por outro lado, estamos a crescer em potencial nos segmentos alternativos, os quais apresentam oportunidades muito interessantes em Portugal face a mercados mais maduros. Um destes segmentos é o mercado residencial enquanto ativo de investimento institucional, anteriormente afastado dos mapas de investimento. Trata-se de um segmento com perspetivas promissoras, especialmente no multifamily, ou seja, a construção de raiz para arrendamento de longo-prazo.

Por último, e não menos importante, os avanços estruturais que o país conseguiu nos últimos 5 anos não foram, nem serão, varridos pela pandemia. As características distintivas e intangíveis do nosso país permanecem incólumes, tais como segurança, qualidade de vida, dias de sol, custo de vida e, como referido, os valores mais competitivos de um imobiliário de grande qualidade. Foi este conjunto de características que levaram os investidores das mais diversas áreas, incluindo as que dinamizam o mercado ocupacional, a escolher Portugal. Se é verdade que Portugal descobriu o mundo no século XV, o mundo descobriu Portugal há 5 anos atrás. E nem o advento pandémico vai abalar esta nova descoberta. Quanto muito, reduziu o vento e colocou-o em ritmo menos veloz. Mas também é verdade que a pausa pandémica é geral e, quando voltarmos em pleno, Portugal pode rapidamente voltar a estar na primeira linha como destino de investimento. Tem todas as condições para isso!

*Artigo de opinião escrito para o Jornal de Negócios

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Head of Capital Markets

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