Artigo

Não podemos desperdiçar o potencial da mudança

Nos últimos anos, o panorama do retalho em Portugal tem vindo a alterar-se e a situação económica em que vivemos actualmente acelerou ainda mais essa mudança.

Novembro 29, 2012
Nao podemos desperdicar o potencial da mudança

Nos últimos anos, o panorama do retalho em Portugal tem vindo a alterar-se e a situação económica em que vivemos actualmente acelerou ainda mais essa mudança. No entanto, a mudança num contexto económico não favorável não significa obrigatoriamente mudar para pior, mas sim evoluir.Nas próximas semanas iremos explorar neste espaço de partilha da Jones Lang LaSalle, algumas ideias que visam, precisamente, aproveitar esta oportunidade para reposicionar, reformular e reconfigurar o negócio de retalho, seja nos centros comerciais ou no comércio de rua. Iremos ainda analisar este tema do ponto de vista do consumidor, enquanto principal agente impulsionador da mudança em curso.

Deixo-vos, para já, o primeiro “capítulo” desta reflexão.

Proprietários e lojistas devem criar sinergias

segmento de centros comerciais, principalmente os centros comerciais em zonas mais secundárias, está a viver dias mais difíceis e a maioria da oferta prevista está muito dependente da existência ou não de financiamento e das estratégias de expansão dos operadores para avançar com novos projectos. Na verdade, neste segmento já atingimos a fase de maturidade do mercado, embora exista ainda espaço para mais algumas aberturas, mas muito poucas e em localizações muito específicas.

Os shoppings em operação terão que se ir actualizando, dando abertura à entrada de novas marcas que vejam na actual conjuntura lugar para oportunidades, ao mesmo tempo que devem tomar medidas de adaptação ao novo contexto. Isso é já visível quer do lado dos promotores, que têm dado descontos em rendas de modo a ajudar os seus lojistas a sobreviver à queda nas vendas, quer do lado dos lojistas que tentam adaptar o produto e o posicionamento da sua marca.

As estratégias de marketing têm de ser muito mais agressivas, de forma a cativar os seus consumidores e traduzir as visitas em vendas. Serviço ao cliente e qualidade são obrigatórios para o sucesso de qualquer loja. O preço também é, em grande parte dos casos, um factor determinante para a tomada de decisão de compra. Os lojistas estão atentos a estas questões e têm trabalhado no sentido de passar pelas dificuldades que estão a viver com os melhores resultados possíveis. Existem também oportunidades por explorar, como conceitos novos que são bem-vindos ao mercado ou a internacionalização para novos mercados.

A adaptação dos centros comerciais poderá também passar por fazer uma análise dos factores que estão a influenciar o desempenho do equipamento comercial, desde a área de influência, concorrência, marketing, perfil do consumidor e novos moldes de consumo, de modo a avaliar a performance e identificar os aspectos a melhorar.

No fundo, trata-se de fazer uma espécie de radiografia ao equipamento de modo a poder reposicioná-lo em função do perfil do (novo) consumidor, adequar as campanhas de marketing e dinamizar uma série de iniciativas que possam atrair clientes e levá-los a comprar.