Artigo

Patrimónios Privados: uma aposta ganha!

Artigo de opinião de Salvador Leite Castro, Head of Private Wealth, Capital Markets

Janeiro 12, 2021

Há um ano, quando começaram a chegar as primeiras notícias da pandemia na Europa, vivia-se um momento ímpar no mercado de investimento imobiliário comercial em Portugal, com os volumes transacionados a ultrapassar os 3.000 milhões de euros anuais.

Mais do que um recorde histórico, este número refletia a crescente atratividade que o setor vinha mostrando dentro e fora de portas, percecionado como alvo sólido e de baixo risco por um número cada vez maior de investidores e das mais diversas fontes de capital.

A diversificação foi de nacionalidades, mas também de perfis. Entre os perfis com crescente dinamismo incluem-se os patrimónios privados, os chamados investidores privados, que abrangem familly offices e os particulares.

Com uma postura predominantemente conservadora em termos de exposição ao risco e anteriormente muito concentrada nos setores financeiros, este tipo de investidores encontrou no imobiliário uma alternativa segura de diversificar ou complementar os seus investimentos e obter retornos mais interessantes do seu capital, num cenário em que as taxas de juro indexadas a uma boa parte das aplicações financeiras de menor risco se mantêm bastante baixas e pouco atrativas.

Além desta questão de diversificação de carteira e de procura de um retorno mais elevado, o imobiliário é um tipo de ativo facilmente financiável, pelo que o investimento neste setor é também uma forma de aumentar a rentabilidade dos capitais próprios.

As expectativas para o investimento imobiliário e para a continuidade da dinâmica destes investidores privados eram, pois, francamente positivas no início de 2020.

Até que chegamos a março e, com ele, chega também a pandemia à Europa e a Portugal, interrompendo subitamente uma das fases mais virtuosas de sempre de que há memória no mercado de investimento.

Num cenário novo para todos e perante a incerteza reinante face ao evoluir da pandemia e dos seus efeitos na economia -e, claro no setor imobiliário – a maioria destes investidores fizeram jus ao seu conservadorismo e, adotando uma postura mais cautelosa, optaram por colocar em stand-by decisões de investimento.

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No entanto, à medida que as semanas passavam e que nos íamos adaptando a um novo normal que já então parecia estar para ficar durante um bom tempo, estes investidores foram retomando os seus planos e, com os devidos ajustes ao novo contexto, a partir do verão voltaram a estar bastante ativos no nosso país.

Quem é “comprador” continua a procurar ativos entre 1 milhão e 10 milhões de euros com contratos de arrendamento de longa duração e inquilinos sólidos.

Mas, o seu foco principal mudou! Anteriormente as lojas de rua pequenas e em boas localizações eram um dos ativos mais desejados, estando a procura por este tipo de imóvel naturalmente contraída devido ao impacto do Covid-19 no seu desempenho operacional. Em contrapartida, os ativos na área da distribuição ganharam um apelo adicional junto destes investidores.

Além disso, os escritórios continuam a ser encarados como uma boa opção pois, os investidores sabem que estes são e vão continuar a ser uma peça chave na vida da maior parte das empresas.

Mas há também privados que estão mais “vendedores”, a apostarem na rotação da sua carteira imobiliária ou também porque têm necessidade de obter liquidez para gerar no seu core business nesta altura de menor dinamismo económico.

Em qualquer dos casos, o certo é que há cada vez mais investidores privados ativos no investimento imobiliário e que, tal como vínhamos verificando até aqui, vão continuar a desempenhar um papel de crescente importância neste mercado.

De tal forma que, desde 2018, o departamento de Capital Markets da JLL, sentiu necessidade de criar uma equipa dedicada em exclusivo a apoiar estes patrimónios privados que querem estar ativos no investimento em imobiliário comercial, seja a comprar ou a vender.

A dinâmica da equipa que apoia estes investidores é bem o reflexo da crescente importância deste perfil no mercado nacional. Nos dois últimos anos, a equipa de Private Wealth concretizou 25 transações de investimento em representação de investidores privados, totalizando um montante transacionado de 55 milhões de euros.

Curiosamente, tornou-se também evidente uma elevada presença de capital português, que concentrou 70% das operações.

Este ano, apesar dos grandes desafios que continuam a abrir-se ao setor, o objetivo é continuar a conquistar negócio e a crescer, fechando mais transações e mantendo a confiança dos nossos investidores. Por isso, podemos dizer que os patrimónios privados são uma aposta ganha! Quer para o mercado, quer para a JLL!

*Artigo de opinião escrito para o Dinheiro Vivo

Contact Salvador Leite Castro

Head of Private Wealth, Capital Markets

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